Após o pico de vendas de final de ano, muitas empresas encontram seus depósitos abarrotados de itens remanescentes ou desorganizados. Se não houver um inventário e reorganização de estoque logo no início do ano, esses produtos parados podem corroer margem e espaço, já que os custos de estoque representaram 7,01 % do total de custos logísticos no Brasil em 2023. Isso significa que o estoque foi o maior vilão, superando até mesmo o transporte, que respondeu por 9,3 %. Manter um inventário atualizado e adotar boas práticas de reorganização são estratégias essenciais para recuperar o fôlego após a alta temporada.
Por que atualizar o inventário após a alta temporada?
Conferir o inventário logo depois do período de maior movimento garante a precisão dos registros e evita surpresas nos próximos meses. Um controle eficiente previne rupturas, reabastecimentos urgentes e compras desnecessárias. Além disso, ao entender quais produtos ficaram parados, você pode planejar promoções ou ajustar as quantidades de reposição.
Métodos de contagem: periódica, cíclica e classificação ABC
Existem diferentes abordagens para realizar um inventário:
- Contagem periódica: é feita uma vez por ano ou por semestre, quando o armazém é fechado para conferência total. Embora seja tradicional, pode causar interrupções na operação.
- Contagem cíclica: consiste em contar grupos de produtos em intervalos regulares (diários, semanais ou mensais), sem necessidade de parar toda a operação. Essa abordagem mantém o inventário atualizado e distribui a carga de trabalho ao longo do tempo.
- Classificação ABC: separa os produtos em classes A, B e C com base no valor ou na rotatividade. Os itens da classe A (maior valor ou giro) são contados com mais frequência, enquanto os das classes B e C podem ser contados com intervalos maiores. Esse método otimiza o uso de recursos e foca no que realmente impacta o resultado.
Independente do método escolhido, recomenda‑se utilizar tecnologias de automação, como leitores de código de barras ou RFID e sistemas de gestão de armazéns (WMS), para registrar cada contagem de forma ágil e precisa.
Sistemas de gestão e visibilidade em tempo real
Um dos principais erros no gerenciamento de estoque é a falta de visibilidade sobre entradas e saídas. Para evitar isso, invista em sistemas que integrem todas as informações do armazém e ofereçam relatórios em tempo real. Softwares como WMS e ERP reduzem o retrabalho e permitem acompanhar o inventário de qualquer lugar, facilitando as decisões sobre compras e reposições.
Além de melhorar o controle, essas soluções podem ser integradas a plataformas de vendas e logística, centralizando dados de pedidos, faturamento e transporte. A adoção de tecnologia é uma das recomendações para evitar problemas logísticos e deve ser combinada com treinamento contínuo das equipes para garantir que todos saibam utilizar as ferramentas.
Just‑in‑Time e outras técnicas para reduzir estoque parado
O método Just‑in‑Time (JIT) visa reduzir ao máximo os níveis de estoque ao programar entregas e produção conforme a demanda. De acordo com especialistas, implementar JIT e fazer inventários periódicos ajuda a diminuir a necessidade de grandes estoques e entender melhor o giro de cada item. Embora exija planejamento minucioso com fornecedores, o JIT diminui o capital imobilizado em produtos, libera espaço no armazém e reduz custos financeiros.
Outras técnicas complementares incluem:
- Análise de giro de estoque: identifique quais itens vendem rápido e quais ficam parados para ajustar prazos de reposição.
- Previsão de demanda baseada em dados: use dados históricos, sazonalidade e tendências para planejar melhor o volume de compras e evitar excesso.
- Política de estoques mínimos e máximos: defina níveis de estoque que acionem automaticamente novos pedidos ou indiquem excesso a ser liquidado.
Reorganização pós‑alta temporada: layout e classificação
Ao final do inventário, reorganize o layout do armazém para facilitar o acesso aos itens de maior saída. Isso acelera o processo de separação e expedição, reduzindo o tempo de entrega. Separe produtos por categorias, coloque os mais vendidos nas áreas de maior fluxo e posicione itens pesados próximos às saídas para minimizar movimentações desnecessárias.
Crie áreas específicas para itens devolvidos ou com defeito e treine a equipe para processar essas unidades de forma ágil, evitando que fiquem esquecidas. Aproveite a reorganização para revisar etiquetas, limpar prateleiras e garantir que todos os itens estejam identificados corretamente.
Dicas finais e próximos passos
- Integre seu inventário à estratégia de planejamento – conexões entre o estoque e o planejamento logístico são vitais. Confira também nossos artigos Planejamento logístico: 5 passos que devem fazer parte dos processos da sua empresa e Redução de custos logísticos em 2026: como automação e IA podem cortar gastos para aprofundar‑se em outras estratégias.
- Utilize indicadores de desempenho – monitore métricas como taxa de acurácia do inventário, tempo de reposição e giro de estoque para identificar gargalos e oportunidades de melhoria.
- Conte com parceiros confiáveis – operadores logísticos como a MXLOG oferecem infraestrutura, tecnologia e experiência em armazenagem, permitindo que você foque no seu core business enquanto profissionais cuidam do inventário e das entregas.
Um inventário atualizado e uma reorganização bem planejada após a alta temporada não só evitam desperdícios e prejuízos, como também criam uma base sólida para o crescimento. O investimento em sistemas, práticas como o Just‑in‑Time e treinamento das equipes garante eficiência e reduz o impacto dos estoques nos custos logísticos.



